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O papel das varejistas no incentivo às boas práticas na indústria da moda

É possível transformar os processos de produção e consolidar uma jornada socioambiental mais responsável no mundo fashion


Por Alberto Kohn e Alexandre Schenkel*


O algodão é uma das fibras têxteis mais importante, com uma média de 35 milhões de hectares plantados em todo o planeta. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Algodão - Abrapa, cerca de 350 milhões de pessoas fazem parte de todo o processo produtivo, desde as fazendas até a logística, descaroçamento, processamento e embalagem. O Brasil está entre os quatro maiores produtores e exportadores da matéria-prima, já muito bem consolidado no mercado internacional e reconhecido por sua fiscalização rigorosa, leis trabalhistas e ambientais. Neste cenário, é inquestionável a importância de sensibilizar os consumidores sobre uma moda mais consciente na rede de confecção dos produtos.


O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa, já alcançou mais mil marcas parceiras atuantes em diferentes etapas da cadeia têxtil, mas unidas pela missão de despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo. A iniciativa valoriza o algodão nacional, que é cultivado de forma responsável, em que 84% da produção possui certificação socioambiental. A Marisa, sendo a maior marca de moda feminina e lingerie do país, acaba de entregar uma coleção de jeans que leva todas as especificações do Sou de Algodão, focando em consolidar as boas práticas no mercado da moda e levar para o seu público capilarizado por todo o território nacional um modelo de consumo em harmonia com as pautas socioambientais.


Conhecemos nossas consumidoras. Elas buscam tecidos de qualidade, com durabilidade, conforto no contato com a pele e praticidade, atributos encontrados no algodão, reforçando a versatilidade e a forte presença da fibra na indústria da moda. Essas características compõem a série de fatores que influenciam a decisão final de levar o produto para casa e cada vez, identificar um processo de confecção responsável, tem ganhado espaço nesta jornada de compra. O nosso papel, como varejistas e lideranças da indústria fashion popular, é conscientizar as clientes quanto às boas práticas aplicadas na produção das peças, até a entrega em loja.


O desafio, mais do que conscientizar as consumidoras sobre a importância de uma moda responsável, é ajudá-las a identificar os processos de confecção que adotam boas práticas em todas suas etapas. Segundo pesquisa realizada pelo movimento ModaComVerso, liderado pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), em 2022, 48% dos entrevistados costumam dar preferência a produtos de empresas que apoiam causas ambientais e/ ou sociais, frente a 38% registrado em 2019. Um aumento significativo e que reafirma a crescente preocupação da sociedade com as questões socioambientais. O estudo ainda aponta que 76% da população estaria disposta a pagar um pouco mais em produtos de empresas comprometidas com essas causas.


O futuro da indústria fashion é o modelo de compra responsável e as varejistas de moda precisam caminhar lado a lado com as clientes, oferecendo meios práticos e acessíveis para o consumo consciente. Na Marisa, por exemplo, todos os fornecedores são certificados e auditados pela ABVTEX, garantindo que tudo o que esteja previsto na legislação seja rigorosamente cumprido e dispensando fornecedores que não estejam em conformidade com o que já é previsto em lei. A Sou de Algodão leva essa visibilidade para a matéria-prima e ajuda a fortalecer o algodão nacional e seu impacto positivo no mercado da moda.



*Alberto Kohn é Vice-Presidente Comercial da Marisa e Alexandre Schenkel é Vice-Presidente da Abrapa.


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